Elexsandro Araújo
Epilepsia no Brasil: mais de 1 milhão vivem sem controle das crises, mas a ciência começa a mudar esse destino. Por Dr. Luiz Severo
Epilepsia no Brasil: mais de 1 milhão vivem sem controle das crises, mas a ciência começa a mudar esse destino. Por Dr. Luiz Severo
A epilepsia atinge cerca de 1% a 2% da população brasileira — aproximadamente uma em cada 50 pessoas. Apesar dos avanços terapêuticos, até 30% dos pacientes continuam apresentando crises mesmo com uso adequado de medicamentos, configurando a epilepsia refratária. Na prática, isso significa que mais de um milhão de brasileiros vivem sem controle da doença, com impacto direto na segurança, autonomia, saúde mental e qualidade de vida.
Mas os avanços recentes começam a mudar esse cenário.
O novo medicamento Cenobamato, aprovado pela Anvisa, surge como uma das maiores inovações dos últimos anos. Estudos mostram redução significativa da frequência de crises e, de forma inédita para muitos casos refratários, até 20% dos pacientes podem ficar completamente livres das crises.
Quando os medicamentos não são suficientes, a tecnologia tem ampliado as possibilidades:
• Estimulação do nervo vago: técnica cada vez menos invasiva, com redução de crises em cerca de 50% dos pacientes, além de benefícios em sono e regulação emocional
• Estimulação cerebral profunda: abordagem avançada da neurocirurgia funcional, com redução média de 50% a 70% das crises, especialmente em casos complexos
Esses avanços marcam uma transição importante: saímos de uma medicina focada apenas em controle parcial para uma realidade onde, em muitos casos, já é possível reduzir drasticamente — e até eliminar — as crises.
Ainda assim, o maior desafio permanece fora da tecnologia:
diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e combate ao estigma.
Neste Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, a mensagem é clara:
há mais ciência, mais opções e mais esperança — mas é preciso fazer isso chegar a quem mais precisa.



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