• Rio de Janeiro, 24/06/2026
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Elexsandro Araújo

São João e dor crônica: por que as queixas aumentam durante o período junino?

São João e dor crônica: por que as queixas aumentam durante o período junino?


São João e dor crônica: por que as queixas aumentam durante o período junino?


Enquanto milhões de nordestinos aproveitam as festas de São João com muito forró, comidas típicas e encontros familiares, especialistas alertam para um fenômeno frequentemente observado nos consultórios e serviços de saúde: o aumento das crises de dor durante o período junino.


Segundo o neurocirurgião e médico da dor, Dr. Luiz Severo, fatores comuns nessa época do ano podem favorecer o agravamento de condições dolorosas já existentes, especialmente em pacientes com doenças crônicas.


“O São João reúne diversos gatilhos conhecidos para a dor. As pessoas costumam dormir menos, viajar mais, permanecer longos períodos em pé, dançar por várias horas seguidas, consumir mais álcool e alterar a rotina alimentar. Tudo isso pode impactar diretamente o sistema nervoso e os mecanismos envolvidos na percepção da dor”, explica.


Entre as condições que mais costumam piorar nesta época estão a lombalgia, as dores nos joelhos, a fibromialgia, as dores cervicais e as crises de enxaqueca.


As dores lombares figuram entre as principais queixas devido às longas viagens, movimentos repetitivos durante as danças e permanência prolongada em pé. Já os joelhos podem sofrer sobrecarga especialmente em pessoas com artrose, lesões meniscais ou desgaste da cartilagem.


Pacientes com fibromialgia também merecem atenção especial. A privação de sono, o excesso de estímulos, a fadiga física e emocional e as mudanças na rotina podem desencadear crises dolorosas mais intensas, acompanhadas de fadiga, dificuldade de concentração e piora da qualidade de vida.


Outro problema frequente é a enxaqueca. O consumo de bebidas alcoólicas, a desidratação, a exposição prolongada ao calor e as noites mal dormidas representam gatilhos clássicos para o aparecimento das crises.


Além dos aspectos musculoesqueléticos, o especialista destaca que a dor possui uma forte conexão com o cérebro e com o sistema nervoso.


“Hoje sabemos que a dor não depende apenas de uma lesão física. O sono inadequado, o estresse, a fadiga e a inflamação sistêmica podem aumentar a sensibilidade do sistema nervoso, fazendo com que o paciente sinta mais dor mesmo sem uma nova lesão”, afirma.


Apesar dos cuidados necessários, os especialistas reforçam que as festas juninas não devem ser encaradas como inimigas da saúde. Pelo contrário. A convivência social, os momentos de lazer, a dança e a prática de atividades físicas moderadas podem trazer benefícios importantes para o bem-estar emocional e cerebral.


A recomendação é simples: manter uma boa hidratação, respeitar os limites do corpo, realizar pausas durante atividades prolongadas, evitar excessos de álcool e preservar a qualidade do sono sempre que possível.


“Aproveitar o São João faz bem para a saúde mental. O segredo está no equilíbrio. O objetivo é voltar para casa com boas lembranças da festa, e não com uma crise de dor”, conclui Dr. Luiz Severo.



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