Elexsandro Araújo
Neurocirurgião nordestino busca nos EUA novas tecnologias para o tratamento da dor crônica
Neurocirurgião nordestino busca nos EUA novas tecnologias para o tratamento da dor crônica
Dr. Luiz Severo participa, em Ohio, de encontro internacional sobre medicina baseada em energia e concentra atenção em tecnologia de laser superpulsado estudada para pacientes com fibromialgia
O neurocirurgião e médico da dor Dr. Luiz Severo está nos Estados Unidos para uma imersão científica em novas tecnologias voltadas ao tratamento da dor crônica e à recuperação funcional. Nos dias 5 e 6 de outubro de 2026, o médico participa do Latin American Leadership Summit on Energy Medicine: Research & Education, na região de Solon/Cleveland, Ohio.
O encontro reúne pesquisadores e profissionais envolvidos com a chamada medicina baseada em energia, com discussões sobre fotobiomodulação (PBM), laser superpulsado, HILT/Class IV, ondas de choque focais, TECAR, termografia, medicina regenerativa e a integração dessas tecnologias aos programas de reabilitação.
Para Severo, a viagem tem um objetivo específico: conhecer de perto tecnologias que vêm sendo investigadas internacionalmente e avaliar como seus princípios podem contribuir para a prática clínica no Brasil.
“Não vim aos Estados Unidos simplesmente conhecer um novo aparelho. Vim entender a ciência, a dose, os mecanismos e quais pacientes realmente podem se beneficiar. Em dor crônica, inovação só faz sentido quando consegue se transformar em mais função e qualidade de vida.”
Fibromialgia ganha destaque
Entre os temas que despertam maior interesse durante a imersão está o laser superpulsado multicomprimento de onda, especialmente por sua aplicação estudada em pacientes com fibromialgia.
O FibroLux, da Multi Radiance Medical, recebeu em 2022 autorização 510(k) da FDA para uso adjuvante no alívio temporário da dor associada à fibromialgia, conforme o registro K212189 da agência norte-americana.
A tecnologia combina laser superpulsado de 905 nm, LED infravermelho de 850 nm e LED vermelho de 630 nm. Estudos clínicos já avaliaram seu uso em pacientes com fibromialgia, incluindo protocolos realizados três vezes por semana durante três semanas.
Uma publicação posterior na revista Neurology, envolvendo 50 pacientes em contexto clínico, também relatou redução significativa do índice de dor generalizada e da intensidade da dor, embora os autores tenham destacado a necessidade de novos estudos para avaliar os efeitos em longo prazo.
Da analgesia à recuperação funcional
Para Dr. Luiz Severo, entretanto, o principal objetivo de uma tecnologia para dor crônica não deve ser apenas diminuir uma escala de dor.
A proposta discutida durante o encontro é utilizar a fotobiomodulação como parte de uma estratégia capaz de modular processos biológicos relacionados à dor e criar uma janela terapêutica para que o paciente consiga voltar a se movimentar e participar de um programa de reabilitação.
“Na fibromialgia, não basta diminuir a dor por algumas horas. Se conseguimos reduzir a barreira da dor para que o paciente volte a caminhar, se exercitar, ganhar força e recuperar autonomia, começamos a transformar analgesia em recuperação funcional.”
A abordagem ganha relevância diante das características da fibromialgia, condição associada à dor generalizada, fadiga, alterações do sono, hipersensibilidade e importante impacto sobre a funcionalidade e a qualidade de vida.
Tecnologia deve complementar o tratamento
O médico ressalta que a incorporação de novas tecnologias não significa abandonar tratamentos já estabelecidos.
A proposta é integrar diferentes estratégias dentro de uma abordagem multimodal, que pode envolver exercício, fisioterapia, cuidados relacionados ao sono, saúde mental, farmacoterapia quando indicada e estratégias de neuromodulação.
O mesmo princípio orienta o interesse pelas demais tecnologias apresentadas no encontro em Ohio. Em vez de buscar um equipamento considerado universalmente “melhor”, a proposta é compreender qual estímulo físico pode ser mais adequado para determinado tecido, condição clínica e fase do tratamento.
Fotobiomodulação, laser de alta intensidade, ondas de choque e TECAR produzem estímulos diferentes e, portanto, não devem ser utilizados como se fossem tecnologias equivalentes ou intercambiáveis.
Conhecimento internacional com aplicação no Nordeste
A expectativa de Severo é levar o conhecimento adquirido nos Estados Unidos para seus programas de tratamento da dor e neuromodulação no Nordeste, sempre após análise dos protocolos, das evidências científicas e da adequação regulatória para utilização no Brasil.
“Meu compromisso não é trazer novidade por ser novidade. É buscar fora, estudar profundamente e selecionar aquilo que tenha fundamento científico e possa acrescentar segurança, função e qualidade de vida aos nossos pacientes.”
A participação no encontro em Ohio reforça uma tendência que vem ganhando espaço na medicina da dor: a busca por modelos que ultrapassem o tratamento baseado exclusivamente em medicamentos ou procedimentos isolados e integrem tecnologia, neuromodulação e reabilitação.
No caso da fibromialgia, o laser superpulsado estudado durante a imersão representa um exemplo dessa perspectiva: uma tecnologia que possui indicação específica autorizada pela FDA para uso adjuvante no alívio temporário da dor associada à doença e que agora integra o radar científico do neurocirurgião brasileiro.
A proposta, segundo Severo, é transformar conhecimento internacional em estratégias que possam contribuir, de forma criteriosa e baseada em evidências, para a redução da dor, recuperação da função e melhoria da qualidade de vida dos pacientes.



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