Economista
alerta que histórico de apostas esportivas pode reduzir o acesso ao
financiamento e agravar o endividamento das famílias
A
explosão das apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026 está produzindo
um efeito que vai além das perdas financeiras imediatas. O comportamento de
quem aposta com frequência já começa a influenciar a análise de crédito feita
por instituições financeiras, tornando mais difícil a aprovação de
financiamentos, empréstimos e outras operações de crédito. O alerta é do
economista Noé Santiago, da correspondente bancária curitibana Anidea, especializada em
crédito com garantia de imóvel, o Home Equity.
O
Banco Central já reconhece o fenômeno publicamente: em depoimento à CPI das
Bets no Senado, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que
apostadores costumam ter avaliação de crédito pior e que esse comportamento já
entrou no score usado pelos bancos para precificar o risco de cada cliente.
Os
números mostram uma mudança significativa no comportamento financeiro dos
brasileiros. Uma pesquisa do Procon-SP, com 2.724 consumidores, revelou que
quatro em cada dez apostadores (39,7%) já se endividaram em razão das bets.
Além disso, 30,1% afirmam gastar mais de R$ 1 mil por mês com apostas
esportivas, enquanto 52,4% admitem comprometer parte importante da renda,
inclusive recorrendo a empréstimos para continuar jogando.
Outro
levantamento, do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em
parceria com a FIA Business School, aponta que as apostas online já superaram
fatores tradicionais, como juros elevados e expansão do crédito, tornando-se um
dos principais vetores de crescimento do endividamento das famílias
brasileiras. Segundo os pesquisadores, recursos que antes eram destinados ao
consumo, investimentos e formação de patrimônio passaram a ser direcionados às
plataformas de apostas.
Para
Noé Santiago, esse comportamento já aparece na prática das instituições
financeiras. "O banco não avalia apenas renda e score. Hoje ele observa
cada vez mais o comportamento financeiro do cliente. Quando identifica um
padrão frequente de movimentações para plataformas de apostas, entende que
existe um risco maior de comprometimento da renda futura. Isso pode dificultar
ou até inviabilizar uma aprovação de crédito, principalmente nas operações de
maior valor."
Segundo
o economista, o problema ganha ainda mais força durante grandes eventos
esportivos, quando cresce o volume de apostas impulsionado pela publicidade e
pelo clima de competição. Uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 41%
dos brasileiros pretendem apostar durante a Copa do Mundo de 2026. O mesmo
levantamento aponta que, entre os consumidores que planejam gastar durante o
torneio de forma geral, 61% já possuem dívidas em atraso — um retrato que
evidencia como parte relevante do público que vai movimentar dinheiro na Copa
já chega ao evento com a saúde financeira comprometida.
Na
Anidea, a orientação é que o consumidor organize sua vida financeira antes de
buscar qualquer linha de crédito. O crédito com garantia de imóvel costuma
oferecer juros significativamente menores do que modalidades tradicionais, mas
depende de uma análise criteriosa do perfil financeiro do cliente.
Movimentações incompatíveis com uma gestão financeira saudável podem
comprometer essa avaliação.
"Muita
gente procura crédito para realizar um projeto, investir na empresa ou
reorganizar as finanças. Mas, se o histórico bancário demonstra um
comportamento recorrente de apostas, a instituição financeira pode interpretar
que existe um risco elevado de inadimplência. A melhor estratégia continua
sendo preservar um histórico financeiro saudável, porque ele vale tanto quanto
a renda na hora de conseguir boas condições de crédito."
Serviço:
Anidea Soluções Financeiras
Noé
Santiago
Economista
41 9652-5524
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
https://anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51 - Sala
205B - Centro, Curitiba/PR.



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