Vestibular UERJ 2027: obras selecionadas refletem sobre memória, política, identidade e questões sociais
Bibliotecária do Colégio Marista São José - Barra destaca a importância da leitura integral dos livros e aponta se vale a troca por resumos ou filmes
Com mais de 35 mil candidatos disputando vagas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), uma das universidades mais tradicionais do país, o Vestibular UERJ é um dos processos seletivos mais concorridos do Rio de Janeiro.
Além do domínio dos conteúdos cobrados nas provas, a leitura das obras literárias obrigatórias tem papel fundamental na construção do repertório exigido pela instituição. Para a edição de 2027, os títulos selecionados abordam temas como memória, democracia, racismo, imigração e relações de poder, estimulando reflexões que ultrapassam os limites da sala de aula.
Para o Vestibular UERJ 2027, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro definiu quatro obras obrigatórias que estarão presentes nas diferentes etapas do processo seletivo: Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, no 1º Exame de Qualificação; O Cortiço, de Aluísio Azevedo, no 2º Exame de Qualificação; Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida, na prova de Língua Portuguesa e Literaturas do Exame Discursivo; e O Bem-Amado, de Dias Gomes, como referência para a prova de Redação.
No Colégio Marista São José – Barra, a divulgação da lista já movimenta a biblioteca. Segundo a bibliotecária Ileana Eugênio, a procura pelos títulos aumentou significativamente desde o anúncio das obras. "Percebemos um grande interesse dos estudantes, especialmente daqueles que já estão se preparando para o vestibular. Alguns exemplares foram emprestados rapidamente, o que demonstra o engajamento dos jovens com a leitura e a preocupação em iniciar a preparação com antecedência", afirma.
Entre as obras selecionadas, ela destaca que cada uma aborda questões contemporâneas e relevantes para a formação dos candidatos. Ainda Estou Aqui propõe uma reflexão sobre memória individual e coletiva ao retratar a história de uma família impactada pela ditadura militar brasileira. Já Luanda, Lisboa, Paraíso aborda temas como imigração, racismo e pertencimento, dialogando com debates atuais sobre identidade e inclusão.
A bibliotecária também chama atenção para O Bem-Amado, peça teatral de Dias Gomes que utiliza humor e sátira para discutir temas como populismo, corrupção e relações de poder. "Embora o formato teatral represente um desafio para alguns estudantes, a obra oferece uma leitura extremamente rica sobre aspectos da sociedade brasileira que permanecem atuais", explica.
Vale apenas ver o filme?
Para ela, um dos principais erros dos vestibulandos é substituir a leitura pela adaptação cinematográfica ou por resumos disponíveis na internet. "Filmes, vídeos e análises podem complementar o estudo, mas não substituem a experiência da leitura integral. É no contato direto com o texto que o estudante desenvolve repertório, amplia sua interpretação e encontra elementos que poderão ser utilizados tanto nas provas quanto na redação", ressalta.
Além de incentivar a leitura das obras obrigatórias, a biblioteca do Colégio Marista São José – Barra desenvolve iniciativas permanentes de formação de leitores, como clubes do livro, encontros literários e projetos pedagógicos voltados para diferentes faixas etárias. A proposta é estimular o hábito da leitura desde a infância e fortalecer competências fundamentais para a vida acadêmica e profissional.
Para os estudantes que já iniciaram a preparação para o vestibular, Ileana recomenda organização e equilíbrio. "O ideal é dividir a leitura em metas semanais, criar um cronograma realista e buscar conexões entre os livros e outros produtos culturais, como exposições, peças teatrais e palestras. Também é importante respeitar os momentos de descanso, pois o aprendizado acontece de forma mais eficiente quando há equilíbrio entre estudo e bem-estar", orienta.



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